Archive for Março, 2009
O Dossiê Fresh Water Pipe
Os Blogueiros do Reino divulgaram os nomes dos pastores e políticos evangélicos citados no dossiê Fresh Water Pipe. Isso fez com que o povo de Deus exigisse que esses líderes se explicassem. Mas eles não se manifestaram. Ficaram em silêncio. Aquele silêncio típico de quem tenta se esconder e corre desesperado como uma barata à procura de um canto, atrás de um móvel qualquer, quando alguém chega à noite em casa e acende a luz.
Acompanhe os capítulos finais do Podcast www.sequestrodorolosagrado.com.br, de autoria de Robson Ramos.
1 commentPor onde deve começar a Evangelização?
Se há um tema sobre o qual gosto de falar e aceito sem pestanejar, quando sou convidado, é “evangelismo pessoal”. Afinal, foram muitas cabeçadas e já são quase 30 anos de estrada, portos e aeroportos. Dias e noites, sob forte calor ou em temperaturas negativas. Longas conversas nas mais diversas situações, em ambientes agradáveis com ar condicionado, longos cafés em centros acadêmicos no meio da fumaça espessa de cigarro, rodoviárias, vôos intermináveis, jogando bilhar e baralho com gente ligada à OLP em Malta, com universitários na USP, Unicamp e até mesmo com detentos no antigo complexo penitenciário do Carandirú em São Paulo. Ainda me lembro de muitas faces e sotaques, dos mais diversos.
Uma das faces, das quais me lembro, é a de um estudante de pós-graduação da Nigéria, numa conversa que tivemos enquanto tomávamos café no Centro Acadêmico na Universidade de Wisconsin, EUA. Oriundo de um contexto tribal na Nigéria, ele tinha dificuldade para aceitar a divindade de Cristo. Lembro-me também de outro estudante, doutorando em Filosofia. Navin era o nome dele. Morávamos no mesmo alojamento de estudantes. Nossas conversas aconteciam na escada, no meio da noite e às vezes sob frio intenso, no lado de fora, onde ele podia fumar. Ex-ator na Índia, seu país de origem, ele dizia que era um “hindu-existencialista”.
Nos workshops sobre este assunto em igrejas e conferencias constato que os participantes, invariavelmente, apresentam a mesma e preocupante dificuldade, a de não saber responder com clareza a uma pergunta básica: o que é o Evangelho?
As respostas invariavelmente apontam para uma salada de fruta de clichês religiosos sem uma amarração conceitual que faça sentido. E no final tudo se resume a um diluído caldo religioso, sem substância alguma. É raro encontrar alguém que saiba elaborar uma argumentação que dê o devido realce à singularidade de Cristo e de uma visão de mundo com pressupostos fundamentados nas Escrituras. Aliás, é trágico considerar o fato de que as pessoas nas igrejas não fazem a mínima idéia do que vem a ser isso, a “singularidade de Cristo”. Mas sobre as bandas Gospel da hora estão absolutamente antenados. Sabem de tudo.
Numa sociedade em que há tantas formulas, receitas e propostas, que diferença Jesus Cristo faz?
Ora, se a realidade é essa, em que jovens e adultos nas igrejas não conseguem responder adequadamente a essa pergunta, que tipo de “evangelismo” podem eles fazer?
Não seria o caso de começarmos a evangelizar quem está na igreja?
Sem se dar conta, muitos cristãos, evangélicos, gospels ou não, no fundo no fundo acabam pensando como Ghandi, para quem, conforme palavras atribuídas a ele “Cristo era merecedor, sim, de um trono, mas não de um trono solitário.”
1 commentTorre de Babel Gospel!
Proteano queria entender mais sobre o que os líderes da Conspiração da Semente de Mostarda estavam dizendo. As palavras que ele ouviu de um dos líderes daquele Movimento foram mais do que esclarecedoras, mas nem um pouco confortantes.
“Nós, da Conspiração da Semente de Mostarda, no Brasil, e muitos outros grupos espalhados pelo mundo, estamos convencidos de que a voz de Deus está deixando de ser ouvida, e que o silencio de Deus está ficando cada vez mais forte. Tudo porque aqueles que foram chamados para falar em nome de Deus estão falando demais, e querendo falar mais do que Ele.
Estão falando tanto que não deixam Deus falar. É como se esses líderes que vemos aos montes por aí que se apresentam como donos da verdade, tivessem resolvido mandar Deus se calar, e decidiram criar um novo Evangelho. As pessoas estão cansadas de ouvir “contos do vigário”. Os líderes religiosos passam a idéia de serem espertalhões, e se “condenam a meros feiticeiros”.
Não dá para esconder ou querer tapar o sol com a peneira. É o que todo mundo vê por aí, essa confusão de igrejas, cada uma inventando uma coisa nova. Por isso virou uma torre de babel. Só eles não percebem o que estão fazendo.
A pergunta que está sendo feita nas ruas é: Quem fala por Deus, afinal das contas? Lamentavelmente é tanta gente falando por Deus que ele mesmo resolveu se ausentar. Ficar em silencio, triste com o espetáculo que está sendo apresentado à sociedade. Isso está acontecendo em todas as esferas, e é evidente, por exemplo, pelo fato da própria Palavra de Deus, o Oráculo Sagrado, a Bíblia, ter sido transformada numa fonte de lucro para investidores gananciosos que visam apenas seus interesses pessoais. Essa é a mais triste realidade. Deus está em silencio enquanto o Show Gospel rola solto”.
Ao ouvir tudo isso Proteano ficou sem palavras. Pensativo.
Acompanhe os capítulos derradeiros do Podcast www.sequestrodorolosagrado.com.br, de autoria de Robson Ramos.
1 commentRepensando a Bíblia
Bíblias segmentadas. Essa é uma das ondas do meio Editorial Evangélico nos últimos anos. Capas coloridas, fotos. Segmentadas para qual segmento? O Segmento Evangélico. O gueto Evangeligospel. O gueto do segmento conhecido como “consumidor cristão”. Não passa disso.
Entra ano e sai ano e a indústria editorial evangeligospel despeja novos modelos de Bíblias segmentadas no mercado. É a Bíblia disso, daquilo. Basta ver a programação Evangélica na TV,as propagandas nas revistas e sites Evangélicos. É preciso atender a demanda. A turma do Camelódromo Evangélico na Comendador Elias Zarzur na Capital Paulista agradece, com certeza. Sempre há novos convertidos ao voraz segmento conhecido como “Consumidor Cristão”, precisando adquirir seu exemplar.
No entanto as Bíblias recheadas de atrativos, fotos e capas coloridas não têm surtido efeito entre pessoas que integram outro segmento que cresce e se mostra muito mais influente: o segmento daqueles que pensam que a Bíblia é um livro ultrapassado e que serve apenas para as pessoas mais simples, ignorantes e prontas para acreditar em qualquer coisa.
Se há alguma dúvida disso leia por exemplo o que a jornalista e escritora Vanessa Barbara tem a dizer: “A Bíblia é um livro que começa muito bem e se perde no caminho. O começo é eletrizante, com histórias de poder, luxúria, paixões incandescentes, ambições desmedidas, crimes hediondos e sexo. Tem um capítulo sobre uma mulher que dá à luz um filho cujo pai é uma pomba Aí depois perde um pouco, sabe? Aquela coisa de quatro cavaleiros do Apocalipse nunca me convenceu”. (Jornal Estado de SP, 11/01/09, D10 Cultura).
Produzir Bíblias com capas coloridas não irá reverter essa onda. É preciso repensar a forma como apresentamos as Escrituras para a cultura contemporânea. Mas é preciso muito mais que usar capas coloridas. Para a maior parte das pessoas, especialmente as mais esclarecidas e com maior capacidade crítica, a Bíblia é um livro fechado e precisa ser reaberto e reapresentado para que as Boas Novas de Cristo possam ser entendidas e produzir o impacto que tiveram quando apresentadas aos primeiros ouvintes e leitores.
É preciso considerar que a Bíblia é muito mais do que um livro para novos convertidos. É também para ser dada a pessoas mesmo antes de se tornarem cristãs. Para isso acontecer os pastores, padres, líderes e cristãos de um modo geral precisam antes repensar sua visão de mundo e a forma como vêem a Bíblia. A Palavra de Deus deve ser apresentada de forma cativante, com mais originalidade e pertinência, de modo que não cristãos possam vê-la como nunca antes.
O Apóstolo Paulo escreveu para Timóteo 2:9 que a palavra de Deus não está presa, mas enquanto os executivos do ramo editorial pensarem na Bíblia apenas como fonte de lucro e como um produto para ser vendido aos novos crentes a Bíblia estará refém de uma sub-cultura que é vista de forma cada vez mais negativa pela sociedade. A associação da Bíblia com estruturas religiosas retrógradas e manipuladoras é inevitável. Conseqüentemente ela é percebida como um livro religioso, com todas as associações negativas que caracterizam grande parte das instituições religiosas.
Obviamente o problema não é a disponibilidade da Bíblia. No entanto os pastores, líderes religiosos e executivos das Sociedades Bíblicas se confundem e se satisfazem com as crescentes vendas. Para eles, afinal, o que importa é produzir e vender mais e mais Bíblias.
É preciso repensar a Bíblia para a cultura contemporânea.
Quem se interessa em levar essa discussão mais adiante? Eu estou nessa!
