Archive for Dezembro, 2007
Spe Salvi e o Diálogo Critico
Na Spe Salvi, a Encíclica da Esperança, anunciada por Bento XVI no dia 30 de Novembro, o Papa propõe que a questão da esperança seja resgatada para o cotidiano comunitário, como elemento conector com a totalidade e como diálogo critico da igreja Católica com a sociedade pós moderna.
Ao contemplar com erudição a diversidade religiosa e filosófica da sociedade contemporânea a iniciativa de Bento XVI é mais do que louvável. É também ousada, chegando até a definir o céu como “mais valia”, conceito chave do marxismo, embora que com uma conotação não marxista, uma vez que para Bento XVI o céu é um presente acessível e não o resultado de expropriação injusta. Bento XVI surpreende e lança um desafio ao mundo Evangélico Gospel, fortemente marcado pelo individualismo e subjetividade.
É possível que Bento XVI tenha lido e prestado mais atenção ao que Klaus Bockmuehl, pensador Protestante, que escreveu: “Qualquer pessoa que faz do homem o único objeto da teologia; qualquer pessoa que prega a piedosa subjetividade e as experiências religiosas do homem, em vez das ‘grandezas de Deus’ (Atos 2.11) ; qualquer um que reduz a teologia ao esforço e aspiração humanos prepara o cristianismo para ser aniquilado pela critica marxista da religião. A religião que elogia o homem (crente, piedoso, devoto, ou então racional, bem versado e ímpio) como o centro da religião, logo cairá como vítima da guilhotina crítica constituída por Feurbach e conservada pelos marxistas. Esta ameaça deve fazer-nos críticos do nosso próprio subjetivismo religioso; ela deve levar-nos a destronar o homem como rei da fé, do pensamento e da ação”.
1. BOCKMUEHL, Klaus. A crítica marxista à religião e a historicidade da fé cristã. In Evangelização no Mercado Pós Moderno. Viçosa: Editora Ultimato, 2003. p. 22
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