Archive for Abril, 2007
Não aprendeu a rir e fez o que fez
Os incidentes envolvendo estudantes africanos na Universidade de Brasília há poucas semanas atrás e, de forma emblemática, a tragédia protagonizada por Cho Seuns-Hui, o estudante Sul-Coreano, na Universidade Virginia Tech, EUA, há pouco mais de uma semana, me fizeram recordar sobre os tempos em que eu fazia a pós-graduação naquele país.
Tive muitos conhecidos e amigos por lá. Alguns deles são amigos até hoje. Lembro-me que vários deles com o perfil do Cho Seuns-Hui. Outros, nem tanto.
Um desses conhecidos era um americano, de nome “Chip”. Morávamos na mesma república perto do campus da Universidade de Maryland. No quarto dele havia uma pequena coleção de armas, de pequeno e grande porte. Um fuzil fazia parte da coleção, assim como um sabre de Samurai, original. De vez em quando a gente ouvia uns “clicks” de gatilho vindo do quarto dele. Ele dizia que estava fazendo manutenção. Naqueles momentos não ficava um na casa.
Pela república passou também um Indiano, Navin. Ele fazia doutorado em filosofia. Antes de ir para os EUA Navin fazia teatro. Lembrava o Omar Sharif. Lembro-me bem dele sentado na escada no lado de fora da casa para poder fumar, mesmo no inverno. Em casa usava roupas típicas do seu país e dizia que fazia parte da mais elevada casta indiana, que ele mesmo batizou de casta dos “hindus existencialistas”. Sempre tivemos conversas ótimas.
É uma pena que as igrejas não dêem atenção às necessidades dos estudantes estrangeiros em nosso país. Mas ainda há tempo. Eles estão por toda parte, especialmente nas universidades Federais.
Mesmo vivendo situações relativamente mais tranquilas os estudantes estrangeiros em nosso país têm algumas coisas em comum, e que só podem ser compreendidas por quem já foi estrangeiro em outras terras. Em primeiro lugar, eles são “estrangeiros”. Estão longe de sua terra, cultura, língua e especialmente de sua família. E família é o que mais faz falta. Ser estrangeiro em outro país é uma experiência rica sob vários aspectos, mas é também marcada pela solidão, pela sensação de não-pertencimento e, muitas vezes por um sentimento de desamparo.
É preciso ressaltar que muitos desses estudantes estrangeiros representam a nata acadêmica de seu país de origem. Eventualmente irão ocupar posições de liderança em áreas ligadas à política, economia, pesquisa e economia nos seus países. Orgulho-me de ter alguns desses como amigos até hoje. O “David” é um deles. Nos conhecemos numa festa de estudantes estrangeiros no bairro de Georgetown, capital americana. Ele namorava uma brasileira e fazia Mestrado em Urbanismo. Anos mais tarde ele entrou para o serviço diplomático do seu país. Virou diplomata de carreira, e dos bons. Fala 5 idiomas, incluindo o Português, que aprendeu quando veio trabalhar no Consulado de seu país em São Paulo. Durante os dois anos que aqui ficou, com sua esposa, estávamos sempre juntos. Não vai demorar muito e ele será embaixador num país asiático.
Outro amigo daquele época é um é Sul-Coreano, de nome Woo. Certa vez ele me convidou para um jantar típico em sua casa que ele mesmo preparou, na sala de jantar de sua casa, numa chapa quente apoiada sobre uma base bem baixinha. Freqüentávamos a mesma igreja. Por não falar Inglês com a fluência desejada e por ser baixinho, para os padrões americanos, ele tinha uma certa dificuldade para se integrar ao grupo, procurei ajudá-lo, fazendo uso de um certo tipo de humor e “cara de pau” – no bom sentido. Aos poucos ele foi se soltando e aprendendo a ver graça em situações nas quais outras pessoas só vêem o lado “sério”. No final ríamos muito. E rir, fazia, e ainda faz bem. Woo e eu nos tornamos grandes amigos. Até hoje mantemos contato via email.
É lamentável que muita gente ainda não aprendeu a rir. Meu amigo Woo aprendeu. Ao que tudo indica, entretanto, o seu conterrâneo que virou notícia, não teve a mesma sorte.
No meu livro “Evangelização no Mercado Pós Moderno” (Editora Ultimato) dedico um capítulo a essa temática. Quem se interessar pode conferir.
2 commentsOs Manuscritos do Mar Morto e o Sequestro do Rolo
Descobertos em 1947, portanto há exatos 60 anos atrás por um beduíno que pensava haver ouro escondido nas cavernas próximas a Qumran, uma região farta em cavernas nas escarpas que se erguem 400 metros acima do Mar Morto, os Manuscritos do Mar Morto continuam fascinando multidões de todas as crenças e raças. Os fragmentos estão apagados e praticamente ilegíveis, devido a ação do tempo sobre as peles de animais nas quais os textos foram redigidos no entanto continuam emanando sua mensagem.
Trata-se de uma descoberta arqueológica autêntica e absolutamente ímpar e por isso mesmo a “mais significativa do século 20″, conforme Adolfo Roitman, curador responsável pelos Manuscritos do Mar Morto no Museu de Israel, em Jerusalém. Nem mesmo o vendaval criado pela mídia em torno da pseudo-história O Código da Vinci e mais recentementea alegação duvidosa sobre a descoberta da “tumba perdida” de Jesus, ofuscaram o fascínio e importância em torno dos Manuscritos do Mar Morto.
No futuro bem próximo o dileto internauta que acompanha o Mateus21 irá se sentir como aquele beduíno ao descobrir os jarros nas cavernas dentro dos quais se encontravam os manuscritos do Mar Morto. Você terá o privilégio único de estar entre os primeiríssimos a ter acesso à cavernas nas quais segredos e mistérios têm sido mantidos a sete chaves.
É disso que trata O Seqüestro do Rolo Sagrado. Aliás, como senha, vale dizer que os Manuscritos do Mar Morto foram consultados e, de certa forma, fazem parte do “rolo”, ou pergaminho, que se encontra seqüestrado.
2 commentsSem estética e sem ética
Julguei que deveria reproduzir neste espaço o comentário que um amigo fez à matéria anterior: “Bergman e o fino casal”. Assim sendo …
“Francis Schaeffer conta a história de um “crente” que foi convidar um pessoal a ir na igreja ali próxima e quando fez o convite as pessoas apontaram para a igreja, bem visível de onde estavam e perguntaram: você quer que a gente vá lá? E o “crente” olhou; lá ao longe se vislumbrava um lugar lúgubre e cinza, nada convidativo… Vez em quando fazemos do cristianismo algo assim, sem estética e sem ética.”
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