Archive for Fevereiro, 2007

A Quarta Onda

Nada a contestar sobre a matéria “Deus quer você rico”, de Aureliano Biancarelli no caderno Aliás (Estado de SP de 11/02/07, J3) na qual o articulista comenta sobre a Terceira Onda, no contexto do crescimento das Igrejas Pentecostais no Brasil.

A matéria inclui uma entrevista com Antônio Flávio Pierucci, sociólogo do USP e especialista em religião. Nada a contestar, pelo contrário. É aquilo mesmo. Se os Evangélicos que se dizem sérios, ortodoxos e não adeptos da Teologia da Prosperidade ficam calados, as pedras clamarão. E estão clamando.
Não é de se espantar que muitos Evangélicos fiquem cada vez mais desanimados ao ver a imagem Evangélica sendo jogada no lixo mais e mais por causa de determinados segmentos que se auto intitulam “Evangélicos”.  Aliás, já está na hora dos Evangélicos históricos saírem do gueto e fazer um “manifesto”, nos moldes daquele que Francis Schaeffer propôs. Afinal, o rótulo de “Evangélico” já virou “casa da sogra”. Ninguém mais sabe o que significa “ser” “Evangélico”. É muita confusão.

Por outro lado, o autor da matéria assim como a grande maioria dos que confessam a Fé Cristã,  ainda não percebem que há uma Quarta Onda em movimento e, o que é ainda mais fascinante, emergindo. Só tem olhos para ver os sinais dessa Quarta Onda quem vê mais longe. G. K. Chesterton, autor inglês do século passado foi um desses. Num de seus memoráveis insights  ele diz: “The church has always been thrown to the dogs, but in the end, it is the dogs that die.”

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O que mais vem por aí?

Não sei se sou o único, espero que não, Mas ainda estou remoendo alguns acontecimentos ocorridos na virada do ano.

Vejo programas religiosos na TV, matérias em revistas do gênero, recebo e-mails/propagandas de eventos eclesiásticos e conferências teológicas de todos os matizes e fico a pensar se os líderes e formadores de opinião religiosos vivem no mesmo mundo em que a maior parte das pessoas vivem.

Por um lado vemos pessoas falando de Deus e oferecendo, para não dizer vendendo, uma experiência religiosa como se fosse um produto disponível para “pronta entrega”, e satisfação garantida. É a venda “door-to-door” de bens religiosos. Perecíveis, diga-se de passagem. Mesmo assim os que estão nesse lado tentam vender a idéia de que a experiência religiosa, por eles apresentada, descortina um mundo de possibilidades mágicas e ilimitadas.

Por outro lado há muita gente bem mais cética, que vive num mundo diferente, supõe-se mais real, pé no chão. Gente que se acha mais conhecedora das coisas e que não acredita nesse suposto mundo mágico de bênçãos imediatas. Mas que nem por isso deixa de expressar seu interesse em vivenciar uma experiência religiosa genuína, pura e que as ajude a conhecer a Jesus. Aquele mesmo, presente nas Escrituras.

Mas entra ano e sai ano continuamos vendo figuras religiosas, midiáticas, vendendo emoção religiosa e repetindo os clichês de sempre e fazendo um discurso cujo conteúdo não diz nada, e que se mistura com o discurso de uma infinidade de propostas religiosas e que, além disso, vem reforçar uma visão institucionalizada das coisas, justamente o que a mente pós-moderna rejeita.

Pessoas que não fazem parte do gueto Evangélico-Gospel dizem que gostariam de ver referenciais espirituais, protestantes ou católicos, mais criativos e visionários, que comuniquem a Palavra de Cristo da forma como ela é, na sua pureza, do jeito que Cristo é, sem fazer disso um “negócio”.

Gostemos ou não vivemos num mundo em que o conhecimento humano e relacionamentos são de curta duração, por isso mesmo descartáveis. Usados duas ou três vezes e jogados fora quando não faz mais sentido guardá-los ou mantê-los.

Mas ainda estou remoendo o enforcamento de Sadam Hussein e aquela situação triste em que se meteram o Apóstolo e a Bispa, tendo que ficar andando com rastreadores eletrônicos acoplados ao corpo e monitorados pela polícia de Miami. Aliás, não entendi por que os meios de comunicação do gueto silenciaram a respeito desses dois acontecimentos. Ficaram só olhando.

O que mais vem por aí?

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