Archive for Dezembro, 2006

Paganismo Light

Ontem fui à bela cidade de Sorocaba. Achei curiosa uma placa bem na entrada da cidade dizendo: “Esta cidade pertence a Jesus Cristo”.

Acho que já havia visto algo semelhante em outras localidades. Não entendo o que as pessoas que usam desse tipo de recurso querem dizer com isso. Afinal, o mundo todo é de Jesus Cristo. Ele é o criador de tudo o que existe.

Que papel cumpre uma placa dizendo que ele é dono desse ou daquele pedaço apenas? Isso lembra o culto a divindades pagãs nos tempos do Antigo Testamento. Colocar o único Deus verdadeiro no mesmo nível daquelas divindades pagãs é, no mínimo, uma incorreção teológica, para não dizer blasfêmia.

Se o interesse é apenas fazer “marketing” … esse pessoal teria resultados melhores se, ao invés de colocarem aquela placa, mobilizassem os fiéis de suas igrejas para fazer um trabalho de limpeza e despoluição ao longo do rio Sorocaba, que continua poluído. Seria uma forma de demonstrar que o meio ambiente, que foi criado por Jesus Cristo, deve também ser objeto de nossa atenção.

Discursos e placas usando o nome de Jesus Cristo ou de Deus não terão efeito algum, além de simplesmente expor a irrelevância de quem acha que isso faz alguma diferença.

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A inspiração que vem de Simon

Nos dias que antecedem a virada do ano o chão do meu escritório fica coberto de recortes de jornal e revistas espalhados por todos os lados.
Revirar pastas e dar uma rápida passada de olhos nesse material, antes de ser jogado no lixo, tornou-se um hábito nos dias que antecedem a virada do ano. Algo que faço com grande prazer, entre um docinho e outro ou uma xícara de café. Sempre resta uma matéria que vale a pena postar.
Um balanço das notícias falando de pastores e políticos evangélicos indiciados por crimes na área financeira e corrupção nos ajuda a entender um pouco mais do por que da Igreja Evangélica, como instituição, estar perdendo mais e mais sua credibilidade.
Aqueles que se julgam senhores do “status quo” Evangélico-Gospel fecham os olhos e fingem que não vêem. Uma forma de “fingir que não vê” é ficar concentrado no seu canto gueto, na sua – suposta - zona de segurança, como se o que acontecesse em outros cantos do gueto não tivesse nada a ver com eles. Afinal aquela parte do “corpo” que está doente não tem nada a ver com a minha parte, do “corpo”. Enquanto isso os fundadores da Renascer, apóstolo e bispa, continuam foragidos.
Não faz muito tempo veio a público o escândalo envolvendo a compra superfaturada de ambulâncias, com a intermediação de deputados e funcionários públicos. A “Máfia das Sanguessugas”, como ficou chamada, estava recheada de membros da chamada “Bancada Evangélica”. “Conexão Evangélica?” foi a pergunta feita numa matéria da revista Época (31/07/06), afinal, na lista das “sanguessugas” havia 14 parlamentares da Universal do Reino de Deus, 10 da Assembléia de Deus, 2 da Igreja do Evangelho Quadrangular, 1 da Igreja Batista e 1 da Internacional da Graça de Deus. Segundo a matéria da Época um senador da Igreja Batista também está sendo investigado. Nessa altura dos acontecimentos isso não foi recebido com tanta surpresa. Está virando lugar comum.
A “Bancada Evangélica”, assim como outros setores Evangélicos-Gospel, deveriam aprender com um gaúcho de 76 anos, que reside num apartamento que pertence ao seu filho, no terceiro andar de um prédio, sem elevador, em Porto Alegre. O seu nome é Pedro Simon. Senador. Exemplo de integridade e espírito público quando o assunto é, particularmente, uso do dinheiro público e, porque não dizer dos fiéis.
Ele vai à missa pelo menos três vezes por semana. A Bíblia, mantida aberta no Sermão da Montanha, no Evangelho de Mateus, ocupa um lugar de destaque em sua casa.
Quando era o ministro da Agricultura dispensou carro e moradia na Península dos Ministérios, onde teria à sua disposição 16 empregados. No apartamento em que foi morar um faqueiro era um dos itens que não lhe pertenciam. Quando deixou a função de Ministro comprou algumas facas e garfos para repor as peças que estavam faltando.
Em certa ocasião, ficou sabendo que o filho do comandante da PM gaúcha havia sido nomeado subcomandante da mesma instituição da qual o pai era o comandante. Vale lembrar que ele (Pedro Simon) proibiu a contratação de parentes quando foi governador do Rio Grande do Sul. “Comandante, por que o senhor nomeou seu filho?” Perguntou Simon ao pai, que julgou ter uma justificativa plausível: “Temos uma lista de oficiais. É a vez dele”. Simon não teve dúvida e desferiu sua decisão: “Se é direito dele, ele fica. E o senhor sai”. O comandante foi demitido.

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Fortalezas sitiadas e uma sociedade fluida

     Aqueles que têm por responsabilidade pastorear, formar opinião, ensinar e liderar os cristãos e de estabelecer os rumos da Igreja de um modo geral, não podem achar que “não é com eles”.  Não dá para fazer de conta que o gueto em que muitos vivem é impermeável aos efeitos dessa “civilização mundial de tolerância pluralística”.  Polaridades como “esquerda e direita”, “santo e pagão” ficam, por um lado, relegadas a um mundo ultrapassado. Por outro lado outros aspectos reveladores dessa era pós-moderna saltam aos olhos cada vez mais.
 
     Característica marcante desse cenário, por exemplo, é a perda da credibilidade das grandes narrativas tais como o progresso iluminista, do Cristianismo institucionalizado e sua proposta de religiosidade alienada do mundo real em que as pessoas estão vivendo seus dramas. Só não vê quem insiste em viver num mundo de fantasia. Como conseqüência igrejas vão se transformando em “fortalezas sitiadas” com seus CEO’s, estrategistas e marketeiros experimentando e vendendo as novidades e modismos da hora como a poção mágica e caminho para o crescimento e sucesso.
 
     Percebe-se outra característica marcante  na maneira como as pessoas passam a viver  e fazer suas escolhas, no campo afetivo, amoroso,  evidenciando a natureza fluida dos relacionamentos. Compromissos de longo prazo passam a ser vistos como arriscados demais, e por isso mesmo perdem sua razão de ser.  Particularmente no âmbito dos vínculos amorosos, o mais seguro é estar livre de relações que possam trazer embaraços posteriores. Condicionados pela mentalidade consumista queremos ter, até mesmo no amor, satisfação imediata e a garantia de que os interesses pessoais estejam preservados. Um desses direitos, talvez o mais valioso,  é a possibilidade de troca da mercadoria no momento em que a satisfação deixe de existir, por qualquer que seja a razão, e que substitutos menos familiares e por isso mesmo mais estimulantes, se apresentem.  O presente deve ser vivido ao mesmo tempo em que o futuro é mantido “em aberto”. Afinal, algo melhor pode aparecer.
 
     Há poucos dias ( 5/12/06) a Folha Online trouxe uma matéria mostrando que em 2005 houve um aumento de 15,5%, em relação a 2004, no número de divórcios no Brasil.  São inegáveis as mudanças no comportamento da sociedade, que cada vez mais vê o divórcio de forma natural. Ao mesmo tempo, houve um aumento no número de divorciados dizendo “sim” para uma segunda chance.
 
     Porém é preciso ser ingênuo para acreditar que esse Shangrilá pós-moderno existe. Uma coisa é a sociedade passar a ver a separação ou divórcio com mais naturalidade e outra, totalmente diferente, são as conseqüências e seqüelas que podem resultar de uma ruptura na vida de duas pessoas que um dia escolheram uma à outra, para viver uma vida juntos.
 
     Quando nos damos conta de que na vida real, ao contrário do que se vê nas novelas, nas revistas de fofocas sobre a vida dos artistas, do que ouvimos nos “talk shows” ou no discurso daqueles que tentam mascarar ou negar os revezes da vida dizendo que “tudo vai se resolver bem”, os dramas da vida ferem a alma, mutilam a auto estima, interrompem ideais de vida outrora bonitos e felizes e, não raramente, deixam rastros de humilhação, abandono, miséria, desilusão e desesperança.
 
     Após o lançamento do meu livro “Evangelização no Mercado Pós Moderno” não são poucas as vezes em que sou convidado para falar à grupos de cristãos, particularmente evangélicos.  “Como evangelizar pessoas que se encaixam nessa visão de mundo pós-moderna?” É a pergunta para a qual esperam respostas para consumo rápido.
 
     Após aceitar alguns desses convites e de experimentar uma dose de frustração me dei conta de que na maioria das igrejas onde tenho estado, as pessoas simplesmente não conseguem ver, ou não querem ver,  por um lado, que não é preciso ter uma iluminação especial para entender o básico, essencial, sobre a Pós-Modernidade. Por outro lado, não percebem que a forma deles – como líderes ou membros de igrejas  – se verem, de agirem e se apresentarem ao mundo – é que precisa passar por uma avaliação, e mudar, para que as Boas Novas de Jesus Cristo  possam fluir e regar a vida com o poder da Ressurreição de Cristo.
 

Para refletir e agir:
 
1. Você acredita que é possível um pastor viver na total inocência do que acontece no mundo? E na vida pessoal do pastor - será que ele consegue mantê-la ‘certinha e imaculada’ ?

2. A vida exterior (aparência, comportamentos, regras) garante um coração igual ao do Pai? O que garante?

3. Estariam as igrejas prontas a serem mais misericordiosas e exercerem mais amor a todo tipo de coração ferido? Você tem exemplo negativo ou positivo? Compartilhe conosco (pode comentar como anônimo)

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Joio e Trigo

A Promotoria pediu a prisão de líderes da Igreja Renascer (Folha OnLine) por não terem comparecido à audiência do processo que sofrem por “lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica”.

Os bens do casal líder da igreja já foram bloqueados. Há a acusação de que “o dinheiro arrecadado entre os fiéis era usado para pagar funcionários de empresas” do casal.

Dinheiro, poder; poder, dinheiro. Eis aí uma dupla e forte tentação para aqueles que se lançam à liderança na comunidade evangélica. Alguns, ofuscados pelo brilho dos holofotes, caem na lama. Outros estão lá por isto mesmo: poder e dinheiro.

Difícil separar quem está genuinamente a serviço do Reino e cai em tentação daqueles que maliciosamente fingem estar, mas estão mesmo a serviço de Baal…

Tanto uns quanto outros prestam um enorme desserviço ao Reino, tornando-se pedra de tropeço para cristãos frágeis ou desavisados. Ai deles, entretanto, tanto uns quanto outros! Receberão o justo “troco” de sua insensatez.

Sábias e necessárias as palavras de Tiago (Tg 1.27 - religião pura é esta: cuidar dos necessitados e não se deixar corromper pelo mundo), que os líderes da igreja podem não ter seguido. Assim como muitos de nós, pois mesmo não tendo as “luzes da ribalta” sobre nós, sofremos dos mesmos males.

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