Archive for Setembro, 2006
10 a 0 para a Favela Heliópolis
Fico cada vez mais inconformado com a pobreza – em absolutamente todos os sentidos - desses ricos e suntuosos templos Evangélicos (veja o Post de 18 de setembro).
Como podem os pastores dessas igrejas investir tanto dinheiro nesses mausoléus e ao mesmo tempo querer que as pessoas os ouçam e queiram seguir a Jesus Cristo?
Além de evidenciarem uma tremenda falta de senso estético, não se dão conta de que a sociedade olha para esses mega templos e, com toda a razão, fica a questionar a incoerência entre a simplicidade de Cristo e do Reino de Deus e os reais valores da ideologia que movimenta esses templos.
Não dá para deixar de comparar o efeito negativo causado por esses templos, por exemplo, à beleza e pertinência sócio-cultural da transformação pela qual passou a favela de Heliópolis, em SP, com 125 mil habitantes.Depois de pintada, a Heliópolis, como é chamada a favela, começou a mudar de cara.. Essa transformação, que começou com as mudanças no paisagismo, contou com a ajuda inicial do arquiteto Ruy Ohtake. Em seguida um antigo galpão cedido pela prefeitura foi transformado num centro comunitário para noitadas de frevo e maracatu. Uma biblioteca também passou a funcionar nas dependências do galpão.
Digno de atenção especial atenção é o comentário feito por Ruy Ohtake, a respeito das cores usadas na revitalização paisagística da favela. Ele diz: “O espetáculo cromático representa o dinamismo das lutas urbanas e a solidariedade entre os pobres. ” (Carta Capital 25/05/06, Ano XI número 343 - Caderno: Estilo, página 67).
Para pensar, discutir e passar adiante:
Por que grande parte dos projetos de transformação social, apresentadas por Evangélicos, a começar pelos seus templos, grandes ou pequenos, são tão pobres em questões estéticas?
2) O que as igrejas e ONGs Evangélicas podem aprender com a experiência da favela Heliópolis?
3) As organizações Evangélicas, que promovem desenvolvimento social e comunitário, poderiam chamar estudantes de arquitetura e paisagism e fazer um discipulado nos moldes apresentados por Ruy Ohtake.
2 commentsDá para desconstruir esse argumento?
Quem me conhece sabe que uma das teclas nas quais sempre bati é: evangelizar em tempos pós modernos envolve, dentre outras coisas, o cuidado de comunicar as Boas Novas para quem está fora do “gueto” Evangélico ou Gospel.
Tomemos por exemplo o contexto acadêmico ou universitário. Pensemos num “case” em que se põe em discussão a afirmação do escritor Michel Houell Becq:
“Nenhuma superstição teológica e nenhum culto religioso tem o direito de exigir ou de impor respeito absoluto. Ou seja, nenhuma crença pode cobrar respeito de todos. Quem quiser, deve ter a liberdade de blasfemar e de falar o que bem entender. É uma questão de liberdade de expressão.” (Jornal Estado de SP / D2 Cultura, p. 9).
É possível desconstruir a afirmação acima e construir um argumento filosoficamente defensável, e consistente, a favor da afirmação Bíblica de que “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o SENHOR?
Se a gente quiser pregar o Evangelho para quem está do lado de fora do gueto Evangélico-Gospel, não há como evitar. Aliás, é para fora do gueto que Jesus nos chamou.
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Comunidades não virtuais têm como resistir?
De que forma as igrejas e comunidades não virtuais podem resistir e servir de contraponto ao apelo das comunidades virtuais e poder da blogosfera?
O escritor polonês Zygmunt Bauman, no seu livro IDENTIDADE (Jorge Zahar Editor, RJ, 2005, p. 31) comenta que “estamos perdendo a capacidade de estabelecer interações espontâneas com pessoas reais.”
Responda rápido: Quando foi a última vez que você foi jantar, almoçar ou tomar um lanche na casa do vizinho?
2 commentsUm Rapper de Protesto Urgente!
Precisamos de um Rapper de Protesto Urgente no gueto Evangélico-Gospel.
Expressões artísticas de protesto reivindicatório por mudanças no mundo se encontra com mais facilidade no mundo artístico, não religioso. Por que?
Não me lembro de ter lido sobre expressões ou movimentos de protesto num sentido macro, político, ambiental, econômico, social promovido por Evangélicos no Brasil. Os Evangélicos são ótimos para participar e promover suas inócuas “marchas para Jesus” – que de Jesus mesmo não tem nada, e cada vez mais vão se conformando ao Status Quo, sempre repetindo o mesmo discurso, porém sem relevância alguma no contexto histórico em que vivem.
Não faz muito tempo, o jornalista André Petry, escreveu em sua coluna na Veja (04/05/2005 p. 173): “Na Assembléia do Rio, a identificação Evangélica entre os deputados está sendo radicalizada como se a irmandade da fé estivesse acima de qualquer outro valor, e essa identificação é usada para legitimar uma aliança a serviço da corrupção e da falta de ética.”
Os evangélicos de um modo geral, além dos pastores, líderes vêem isso e ficam calados, quando deveria partir deles atitudes e manifestações públicas de repúdio a esses péssimos representantes do movimento cristão Reformado. Nessa hora e para isso ninguém resolve fazer “Marcha para Jesus”.
E o que dizer da maciça presença “evangélica” na Máfia das Sanguessugas? Houve alguma manifestação pública de repúdio por parte dos Evangélicos?
A Rapper Cingaleza M.I.A que veio ao Brasil em outubro de 2005, uma expressão genuína e contundente de protesto contra as “contradições” desse mundo, tem algo a nos ensinar nesse sentido.
Maya Arulpragasam, ou M.I.A (sigla da expressão “missing in action”) nasceu na Inglaterra e foi criada entre “vilarejos no Sirilanka, terra natal de seus pais. O nome do seu primeiro álbum é “Arular” , que era o codinome usado pelo seu pai, que era membro do movimento revolucionário Tigres Tamil.
Falando sobre sua música, ela diz: “qualquer revolução deve acontecer em favor das pessoas, deve partir das pessoas para as pessoas. A dança é uma das expressões mais primitivas do ser humano. Se você não consegue fazer música que se conecte com as pessoas, que faça com que elas se mexam, por que perder tempo fazendo?” Folha Ilustrada – Estado de SP / E-1/ 20/05/05.
Será que ela tem algo a ensinar aos músicos Evangélicos que vivem cantando sempre as mesmas coisas?
Quando veremos entre músicos Evangélicos alguém que se conecte com as pessoas e as façam dançar e mexer realmente?
17 commentsTecnologia e sua aplicação no dia a dia
Numa época em que pastores, missionários e líderes desejam maximizar seus esforços em prol do Reino de Deus, esse link de um programa da rádio CBN que foi ao ar recentemente, sobre tecnologia e suas aplicações no cotidiano das empresas e das pessoas comuns, nos estimula a pensar sobre as possibilidades que se abrem a cada dia.
http://www.guileite.com/cbndebate64.mp3
Natureza devastada
Cristãos e a fantástica network de igrejas ao redor do mundo deveriam se mobilizar para apoiar esforços como os do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC). As concentrações de dióxido de carbono, metano e outros gases do efeito estufa são as mais altas em 650 mil anos. A causa disso é a ação humana que modificou paisagens e aumentou a taxa destas substâncias na atmosfera a partir da Revolução Industrial, promovendo a queima de combustíveis fósseis como o petróleo.
O mundo inteiro está se mobilizando para reverter a situação desse cenário terrível. Mas lamentavelmente os cristãos evangélicos dos Estados Unidos da América, principal emissor de gases do mundo, nada fazem para convencer seu governo a apoiar o Protocolo de Kyoto, acordo global para atacar o problema.
Evangélicos, grupos “Gospel” e coisa e tal que gostam de ficar dizendo que “essa cidade é de Jesus”, deveriam fazer um barulhaço legal e uma legítima “Marcha Para Jesus”, em prol da Criação, e marcar presença em Nairobi, Quênia, novembro próximo, quando os membros da Convenção do Clima das Nações Unidas se reunirão para debater o futuro do planeta.
Suntuosas Construções
O Jornal Estado de SP (17 de setembro - C-7 / Caderno de Urbanismo) trouxe uma matéria sobre os altos investimentos que igrejas têm feito em construções suntuosas e modernas, com o uso de vidro, metal e granito.
Até que ponto os líderes dessas igrejas, responsáveis por obras tão caras se dão conta dos efeitos que elas causam aos observadores mais críticos desse chamado mundo “evangélico”? A que servem de fato esses templos gigantescos, suntuosos e modernos?
O apóstolo João - em I João 3:17 - escreve:
“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?”
E qual a pertinência dessa exortação da Palavra de Deus para os pastores e líderes responsáveis por essas obras?
No commentsPodcast 21 #01
Em fase de teste...
Como na Europa, igrejas aqui poderão virar teatro e Pub
“Na modernidade duas acusações perseguiram a igreja: ser opressora e “infantilizante”. Karl Marx viu nas instituições religiosas de seus dias os instrumentos de injustiça e alienação sociais. Já Sigmund Freud entendeu que a religião formava neuroses e castrava o desenvolvimento pessoal. Resultado: as igrejas na Europa se esvaziaram. O clima anticlerical recrudesceu. Rejeitou-se a herança cristã.
Nesse início do terceiro milênio a rejeição à herança cristã, particularmente no Brasil, tem acontecido por outras razões. Uma delas é o encantamento gerado pelo mercantilismo, estimulado pelo número crescente de consumidores nas igrejas evangélicas.
As organizações, empresas e pessoas que orbitam no universo de interesses das igrejas evangélicas muitas vezes se integram ao mundo atual não pela diferença, mas sim pela semelhança ao mundo globalizado, pragmático e consumista.
Em vez de fazer a diferença, o assim chamado “segmento” evangélico - seja na esfera comercial, pública ou política - é um integrante a mais no conjunto do que já existe.”
Trecho do livro “Evangelização no Mercado Pós Moderno” (de Robson Ramos, Editora Ultimato).
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