Nômades da Pós Modernidade

Pós Modernidade é um tema que evoca sensações desconfortáveis para a grande maioria dos Evangélicos. Mas não podemos ignorar seus efeitos e pertinência se desejamos sair do gueto “gospel” em que vivemos e comunicar o Evangelho às pessoas que se encontram do lado de fora da nossa normalmente bem protegida “zona de conforto”.

A influência que este momento extraordinário exerce sobre o modo como pensamos e vivemos representa um desafio singular para as igrejas, estejam elas em grandes centros urbanos ou não. Mais do que isso, está reestruturando a vida da maior parte das pessoas, fazendo com que “vivamos como uma sociedade cosmopolita global”, nas palavras de Anthony Giddens, sociólogo inglês. Conforme ele mesmo escreve, “somos a primeira geração a viver nessa sociedade, cujos contornos até agora só podemos perceber indistintamente.”

O “homem moderno”, segundo um filósofo contemporâneo, “é o que experimenta a sensação do estranho, não tem certezas estabelecidas, apenas dúvidas.” A cada dia somos fascinados por novas tecnologias mas por trás disso tudo parecemos nômades no deserto, exilados do único lar que conhecíamos. Uma das características dessa época é o não-pertencimento, representado pelos “sem lar”, a exemplo do filho pródigo que, após ter saído de casa, passou a viver “num lugar distante” (Lucas 15:11-32).

A sociedade ocidental que adentra o terceiro milênio é cativa da visão Pós-Moderna que nada vê além da fragmentação. Na obra intitulada Identidade, Zygmunt Bauman, sociólogo Polonês, diz que “em nossa época líquido-moderna, o mundo em nossa volta está repartido em fragmentos mal coordenados, enquanto as nossas existências individuais são fatiadas numa sucessão de episódios fragilmente conectados.”

Diante dessa realidade as igrejas, instituições religiosas e seus representantes precisam repensar seu discurso, seu papel e suas práticas.

O cenário religioso que se apresenta nesse contexto é dos mais complexos e desafiadores. Ao contrário do que decretaram os profetas da modernidade, as sociedades modernas não decretaram o fim da religião, mas viram surgir uma recomposição religiosa, algo parecido com um labirinto de crenças e experiências. Por um lado, a religião institucionalizada é relegada a um lugar secundário na sociedade. Por outro cresce o interesse e a demanda por temas e práticas espirituais nas formas mais diversas possíveis, sem o controle e tutela institucionais.

Num contexto fértil como esse é preciso buscar e explorar novos rumos que permitam que ações evangelizadoras se concretizem de forma dinâmica e legítima. Só assim o movimento cristão fará frente aos desafios do terceiro milênio.

* Texto extraído e adaptado do livro Evangelização no Mercado Pós-Moderno, de autoria de Robson Ramos (Editora Ultimato, 2003)

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Entre Beatificações, Marchas e Cruzeiros!

Os católicos já beatificaram Irmã Dulce (com a presença da Dilma). Logo será a vez do Padinho Ciço. Os evangélicos fazem suas Marchas Para Jesus pelo Brasil afora e reúnem multidões em seus congressos entoando louvores emocionados.  Isto sem falar nos Cruzeiros abençoados, nas viagens que fazem para a Terra Santa e nos congressos missionários onde conclamam os fiéis a se tornarem missionários em outras terras.  Ao mesmo tempo em que rixas teológicas e eclesiológicas entre piedosos caciques evangélicos podem ser vistas na TV e no Youtube. E o que falar então da igreja que vende “terra” – supostamente do Monte Sinai, na Terra Santa –  devidamente embalada em saquinhos?

Enquanto isso José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, ambientalistas, são assassinados no Pará, a exemplo do que aconteceu com Chico Mendes, com a missionária Dorothy Stang, e com muitos outros que estão sendo eliminados em função de sua luta contra os desmandos no campo e na região amazônica. Comunidades inteiras nas regiões fronteiriças são cooptadas pelo narcotráfico por falta de opções de trabalho. Populações ribeirinhas na Amazônia ficam à mercê de traficantes e outros que levam meninas com pouco mais de 10 anos para serem prostituídas em Manaus e em outros centros.

Ao mesmo tempo o Estado faz vista grossa à entrada no País, de drogas e armamentos que passam pelas fronteiras com países vizinhos e diz que vai apurar com rigor, quando deveria e deve evitar com rigor que absurdos como esses aconteçam. Enquanto uns continuam com suas beatificações e outros com suas Marchas, congressos e Cruzeiros. Isso me faz lembrar uma frase de Desmond Tutu,  Bispo Anglicano da África do Sul,  que, ao comentar sobre a chegada dos “brancos” em seu país, disse: “Os homens brancos chegaram aqui e pediram que fechássemos os olhos para orarmos. Quando abrimos os olhos nós tínhamos a Bíblia, e eles, a terra.”

O fato é que fechar os olhos para o que está acontecendo enquanto nos dedicamos a discussões e atividades supostamente espirituais é muito mais cômodo. Enquanto todos fecham os olhos para orar e rezar, alguém está tomando conta do “campo”, que também é campo missionário. Paradoxalmente,  esses mesmos que fecham os olhos para orar e cantar louvores em templos, congressos, Cruzeiros e caravanas para a Terra Santa, são os mesmos que ficam dizendo por aí que o “Brasil é do Senhor Jesus”. Mas falar do púlpito ou usando um megafone numa Marcha para Jesus nada muda. Onde está o angajamento, de fato?

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Uma história sonho entremeada por pesadelos, esquemas do mal e armadilhas mundanas

Há uma nova missão a ser cumprida. E há um herói a nos representar. Não antes sem drama, sem conflitos internos, sem que o peso da consciência e a paixão interior o impulsione para a escolha. E escolha de luta! Somente os que decidem e que lutam pelo Reino de Deus e o progresso do Evangelho serão reconhecidos pelo Pai.

Esta é uma história mais do que necessária. Por sua profunda atualidade, grande verossimilhança e seu sentido em nos admoestar. É um grito ao desfalecido para abrir seus olhos e acordar. É uma história sonho e um sonho de história, entremeada por pesadelos, esquemas do mal, armadilhas mundanas e muito jogo sujo. Coisas para um herói-servo.

O que mais nos surpreende, no entanto, é que essa batalha a ser travada nas entranhas de instituições e organizações evangélicas, em especial, costura a luta espiritual na esfera física. E faz sangrar. Como um sinal dos céus, essa história bem que pode estar acontecendo agora mesmo no seio da sua igreja, ou dentro da organização missionária que recebe seu sustento financeiro.

É por isso que o herói da narrativa verá destruição, testemunhará mortes e sofrerá com sua própria vida nessa luta desigual. E se o risco de morte é iminente, muito mais perigoso e danoso será para o Reino de Deus, se a própria batalha for perdida. Esse herói –  Proteano – vai demandar sua atenção e apoio. Por ser pessoa rara, como os heróis costumam ser, não medirá esforços para barrar aquele que vem para roubar e destruir.

 

Frases extraídas do prefácio do livro O Sequestro do Rolo Sagrado, disponível no formato digital nas livrarias Saraiva.

 

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Proteano é o destemor encarnado pela graça de Deus

Seqüestro é palavra branda para descrever esse rapto que será seguido de violência e morte. A noite escura da perdição promete chegar trazendo divisão, tribulações e muito sofrimento.

Entre os que testemunharam esses acontecimentos, muitos se calaram. A grande maioria. Estão até hoje mudos. No entanto, um minúsculo grupo resolveu agir. Mesmo arriscando suas próprias vidas! Ao sair do anonimato, Proteano o herói da história, revela-se um revolucionário. Esse rebelde quixotescamente se coloca no caminho das forças Institucionais dos homens. Transforma todo atrevimento numa questão de honra à sua consciência e à causa do Evangelho. Mesmo correndo risco de morte.

Se lutar sem Deus perecerá. Se lutar por Deus terá que dar sua própria vida. O Reino dos Céus está em jogo. Para ele o morrer é lucro e o viver, lutar por Cristo. Proteano é o destemor encarnado pela graça de Deus.

Quem vencerá?

 

Frases extraídas do prefácio do livro O Sequestro do Rolo Sagrado, disponível no formato digital nas livrarias Saraiva.

 

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Quem vai separar o joio do trigo?

Há um gosto amargo em nossas bocas. Há um cheiro de podre em nossos lugares. As coisas não estão bem. E as ameaças continuam. O foco desta luta é o rebanho, desde os mais humildes aos mais abastados. Há profundos interesses em jogo. Seqüestro é palavra branda para descrever esse rapto que se seguirá de violência e morte. A noite escura da perdição promete chegar trazendo divisão, tribulações e muito sofrimento.

 

Uma história de intrigas, desafios, esquemas do mal, armadilhas e os interesses do homem tentando prevalecer sobre Cristo.

 

A representatividade evangélica-protestante de fato cresceu. Explodiu. Mas está silenciosa, morna e apática. Carece de um herói, de um líder, de um revolucionário. Na televisão, no rádio, na política, no escândalo. Nos templos, nas cantorias e nos louvores. No calor das multidões, nas contas bancárias. Nos domingos e em todos os dias da semana. No horário nobre e menos nobre. Com show e com descarrego. Com toalha, mas sem lenço e sem documento. Com templo fechado e com templo dourado. Mas o resultado não foi o esperado.

Essa igreja está aí – invadida, misturada, atrapalhada.

Essa influência, essa perdição, veio com o homem. Perpetuou-se em suas instituições e agora bate à porta da igreja. Da igreja verdadeira.

Felizmente o inferno não prevalecerá contra ela, e sim sobre eles: instituições, organizações e homens – os perdidos e em perdição. Abandonaram a verdade e escolheram suas volúpias e paixões terrenas. Quem vai separar o joio do trigo?

 

Frases extraídas do prefácio do livro O Sequestro do Rolo Sagrado, disponível no formato digital nas livrarias Saraiva.

 

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Igreja Assembléia de Deus, Propina e o Presidente da Câmara dos Deputados

O que a Igreja Evangélica Assembléia de Deus, que  intermediou o recebimento de pelo menos R$ 500 mil em propinas, e o presidente da Câmara dos Deputados têm em comum?

Novidade isso?

Conheça o Sequestro do Rolo Sagrado.

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O Papa e o dossiê Fresh Water Pipe

O que há em comum entre o dossiê intitulado Fresh Water Pipe e as preocupações do Papa sobre a possibilidade de uma guerra por causa dos recursos hídricos?
Através da obra – O Sequestro do Rolo Sagrado, o autor apresenta um cenário surpreendente e preocupante, envolvendo os destinos da Amazônia e da Igreja Católica. Nada muito distante do que pode acontecer no futuro próximo e que mostra até onde pode ir a ambição desses que se autoproclamam líderes do rebanho.
Esta é uma história mais do que necessária, por sua profunda atualidade e grande verossimilhança. É uma história sonho e um sonho de história, entremeada por pesadelos, esquemas malignos e muito jogo sujo.
O “Sequestro do Rolo Sagrado” é ao mesmo tempo prazer e preocupação, lazer e reflexão, ficção e realidade. Esses elementos fornecem o suspense que prende o leitor até a última linha.
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A Nova Roma e o Boneco Evangeligospel

Conforme já havia sido revelado numa das conversas do Screwtape com o Spyware, a administração da Nova Roma estava determinada a ver um presidente evangelisgospel no Brasil, atrelado à política externa da Nova Roma, como garantia de apoio ao plano de internacionalização da Amazônia. Garantindo dessa forma o acesso e eventual controle das reservas de água doce da região Amazônica, com a implementação do projeto Fresh Water Pipe.
Apesar do custo político que uma operação desse porte poderia trazer à administração da Nova Roma, seus estrategistas já tinha fecharam questão sobre este assunto, em função das mudanças climáticas que ameaçavam o mundo com enchentes, guerras, fome e pestes, antes de 2020. Era uma questão de sobrevivência e de segurança nacional para a Nova Roma. Era assim que pensavam.
– É para esse cenário que devemos nos preparar. Diziam os líderes da Conspiração. Precisamos mobilizar pessoas qualificadas com visão histórica, formação nas ciências políticas, com convicções cristãs, que não estejam sendo guiadas cegamente por uma ideologia político-partidária, além de comprovada disposição para trabalhar em equipe.
Era necessário estudar e desarmar a bomba, sem demora. O plano era enfraquecer as bases cristãs, de linha ultra-conservadora, daquele país. Somente assim as pernas da Nova Roma poderiam ser quebradas, impedindo que aquele império, mesmo com os sinais de decadência já evidentes, continuasse avançando com o já conhecido e detestado ímpeto conquistador.
Butcher e os outros integrantes de sua equipe faziam um trabalho excepcional, embora que de natureza ultra-secreta, desde que chegaram à Nova Roma. Poucas pessoas sabiam da real atividade e identidade desse que usava o codinome Butcher. Mesmo assim esforços não foram medidos. Recursos humanos, técnicos e financeiros foram providos para que essa missão chegasse ao seu objetivo, com todo o cuidado, maestria e empenho.

Conheça O Sequestro do Rolo Sagrado, em livro e E-Book.
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O Bispo e a Bancada Evangélica

Um Bispo e a Bancada Evangélica na pauta nacional!
Assim é deflagrada uma das sete ações da Conspiração da Semente de Mostarda.

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Uma Lembrança da Primavera Árabe

Há dois anos era deflagrada a Primavera Árabe, após a morte de um jovem tunisiano que ateou fogo ao próprio corpo como forma de protesto contra as condições de vida em seu país. O país foi tomado por protestos e pouco tempo depois o presidente do país fugiu para a Arábia Saudita. Não demorou muito e países vizinhos foram transformados em palcos de manifestações contra regimes repressivos. Do Iêmen à Jordânia, do Bahrein à Síria, da Arábia Saudita ao Irã. Poucos meses depois da imolação na Tunísia, o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, seria morto por cidadãos líbios. Tudo leva a crer que a onda revolucionária pelo Oriente Médio e Norte da África está longe de acabar.

Alguns anos antes disso tudo acontecer eu desembarcava em Túnis, Capital da Tunísia, depois de cruzar o Mar Mediterrâneo durante a noite, num pequeno turbo-hélice, que chacoalhava para todos os lados. A visão das estrelas, o reflexo da lua sobre a imensidão do mar e o chá que a aeromoça delicadamente servia, como se nada estivesse acontecendo,  aliviavam  a tensão.

Depois de um vôo que parecia não ter fim, aterrissamos no Norte da África. A fila para passar pela Imigração era composta por gente de toda parte. Em sua maioria homens, todos suados, inclusive eu e meus amigos, muitos usando roupas típicas e segurando seus passaportes em sacos plásticos. Meus companheiros de equipe e eu estávamos apreensivos. Estrangeiros eram facilmente notados. Eu fui logo me misturando à multidão que se afunilava, na medida em que nos aproximávamos do guichê da Imigração. Queimado de sol depois de três meses em Malta, de onde partira nosso vôo noturno e, ainda ostentando um cavanhaque que nunca ousei usar fora daquelas bandas, eu estava crente que passaria despercebido.  Mas não demorou muito e   “a casa caiu”.

Quando o agente da Imigração, um policial, pegou meu passaporte e viu que eu era do Brasil, sem qualquer explicação jogou minha mochila no chão e começou a chutá-la, enquanto gritava, de forma entusiasta: “Pelé, Rivelino, Garrincha ….” Depois de alguns minutos “batendo bola” com ele, gritando “é gooooolllll ….. Brazil”, vendo a galera que se encontrava ali, rindo e brincando com o que estava acontecendo, o policial carimbou meu passaporte, apertou minha mão e, sorrindo, disse, com o sotaque Árabe: “Welcome my friend from Brazil”.

Os dias em que estive na Tunísia foram festivos, regados a muito chá e cuscuz. Até queriam que eu ficasse por lá. As sementes plantadas na vida de algumas pessoas foram modestas, considerando a complexidade do contexto em que vivem. Mas as sementes de uma convivência harmoniosa entre as pessoas, ainda que de matizes ideológicas e religiosas diferentes, ficaram na minha vida e germinam até hoje.

A Primavera Árabe, para mim, começava ali.

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